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A fé e a informação guiaram o meu caminho

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Oie!

Sou Aline, tenho 21 anos, fui diagnosticada com DM1 há 12 anos, meu tratamento é com as Insulinas Lantus e Novorapid + contagem de carboidratos. Vou lhes falar sobre minha história com o diabetes e gestação.

Casei-me e sempre quisermos sermos pais, porém não fui autorizada pelo meu médico a engravidar, porque minha glicada estava em 13% e segundo ele seria impossível eu segurar o feto no ventre. Acredito que ele não estava errado de me informar sobre a realidade dos riscos do diabetes descompensado e gestação, mas acho que ele foi insensível nas palavras e forma de se colocar.

Aos 19 anos, mesmo diante das impossibilidades resolvi crer, assumir as responsabilidades e engravidar. Pois bem, um mês depois que o medico me disse isso, engravidei (parece que Deus queria dizer ao medico que Ele é o médico dos médicos).

Com o meu histórico, ouvi dos médicos que teria um aborto ou o bebê teria má formação. A mim só cabia crer e me cuidar, meu filho já havia sido concebido e eu faria o melhor por ele. Fiz todo o meu acompanhamento no plano de saúde e no início da gestação tomei medicamentos para segurá-lo. Foram meses certa que Deus não nos abandonaria, mas foi um caminho de solidão, as pessoas não criam em minha gestação, me senti muito sozinha...




Aos 6 meses fiz ultrassom e vi que meu bebê era perfeito, todos os órgãos funcionando perfeitamente. Quando eu estava de 7 meses minha pressão começou desestabilizar, por precaução com 34 semanas o médico resolveu interromper a gestação.

Fui internada e preparada para o parto, porém tive que aguardar 24 horas para que um leito na UTI Neonatal fosse liberado, já que meu bebe seria prematuro e provavelmente necessitaria de um. Foram horas tensas, meu corpo não suportava mais toda aquela situação.·.

Quando me levaram para a sala de parto, soube que não estava no tempo certo de jejum para tomar a anestesia, mas mesmo assim resolveram aplicar... Ah! Chega uma hora que você nem mais questiona, só pensa em ter a cria nos braços...

A partir dali começou um calvário, eles não conseguiam cortar a minha barriga, quando cortaram não conseguiam tirar o bebê de dentro... Imaginem a tensão e eu presenciando tudo aquilo e temendo por meu filho. Quando finalmente conseguiram tira-lo, o bebê não chorou, não respirou, estava completamente roxo.

Foi um desespero...

A pediatra e uma enfermeira fizeram os procedimentos para reanimá-lo varias e varias vezes e ele não reagia, não respirava, porém o coração batia. Até que a pediatra desistiu, se afastou, balançou a cabeça e disse "VIXI!". Nessa hora, eu só chorava me desesperei e então resolvi orar! Naquele silêncio terrível que estava na sala de parto, eu orei falando "Meu Deus! O Senhor permitiu que eu viesse até aqui pra perder meu filho agora? Eu NÃO aceito!” Quando terminei de orar, o Gabriel respirou!

Gabriel Henrique nasceu no dia 19/11/2015, de 34 semanas, 44 cm e 2.735kgs. Nasceu gordo pra idade gestacional, por causa da diabetes, mas isso foi muito bom, porque ele não precisou ficar internado pra pegar peso.

Por fim, ele nem precisou ir pra UTI, ficou num lugar menos intensivo e em 2 dias já estava fora da incubadora e ficou mais 3 dias internado apenas tomando banho de luz.

Era certeza absoluta que ele nasceria com hipoglicemia, mas a glicemia dele não alterou em nenhum momento.


Durante a gestação eu comecei fazer a contagem de carboidratos, a glicada no fim da gestação estava em 7%. Não foi fácil... A pressão psicológica era demais, me cobrava,chorava em cada HIPER, ninguém acreditava que pudesse dar certo, nem mesmo minha família.

Mas Deus mostrou sua infinita bondade e o seu nome foi glorificado por meio da vida do Gabriel.

Engordei 12kgs na gravidez e após 10 meses dele ter nascido eu já tinha perdido 20kgs.

Amamento até hoje, sem complementação de outros leites. Hoje ele tem 1 ano e 7 meses, pegou gripe 2 vezes e otite 2 vezes, é extremamente saudável e inteligente, nunca aparentou ser prematuro.


Tive depressão pós - parto, até o terceiro mês foi tudo muito difícil e eu só voltei a minha sã consciência após o décimo mês.

Não tive o apoio de ninguém neste período, na verdade acho que ninguém nem notou. As pessoas são muito alheias umas as outras. Não tive animo de nada, não pensava em nada, não fazia nada, além de cuidar do meu filho. Não passava nem uma vassoura no chão, mal escovava os dentes e tomava banho, não penteava os cabelos. Queria somente cuidar e ficar com ele, sentia uma necessidade gigantesca de ficar simplesmente sozinha com a minha cria.


Como eu sou uma pessoa que busco me informar muito, a certa altura eu comecei a perceber que estava com sintomas da depressão e depois de uma conversa com meu marido, fui me forçando a fazer as atividades que não fazia e eram primordiais no meu dia a dia.

Na medida do possível meu marido tentava me ajudar, mas no fundo pouco sabia o que fazer diante de tudo o que estava nos acontecendo, sei que com o passar dos meses fui me conscientizando e melhorando. Foram dias estranhos ,mas que muito me ensinaram.

Um fato que cabe ressaltar é que Gabriel era um bebe extremamente chorão, já não sabia mais o que fazer,pesquisei e vi que ele se enquadrava  no bebê high need, foi ai que com informações fui administrando esta questão, acho que vale a leitura (fica a dica).

Sou dona de casa, mas digo que conciliar o diabetes, casa e filho não tem sido fácil, logo no inicio a glicada voltou à casa dos 12%, depois 13% e agora está em 10%.

Se me perguntarem se eu aconselho a engravidarem como e,u com descontrole,não aconselho, acho que todo o estresse e pressão deve-se a isso, neste sentido afetou em meu psicológico, mas de forma inexplicável eu tinha certeza que no meu caso daria tudo certo.



Pretendo engravidar novamente daqui algum tempo, mas não farei novamente com a glicada tão alta e nem recomendo que façam o que eu fiz.

Minha mensagem para as mães que desejam engravidar é...


SIM! É possível termos filhos e filhos saudáveis! Não deixem que a doença (e médicos) matem seus sonhos, não permitam serem derrotadas por isso. Porque existe nos céus um Deus que tudo pode, o Deus do impossível, o Deus que abriu o mar, parou o sol e sim, me deu um filho lindo, saudável e perfeito, mesmo que prematuro com 34 semanas. Basta crer! Tenham fé!

Para quem deseja, segue o link do depoimento da minha gestação
(http://diabetesevoce.blogspot.com.br/2015/11/foi-com-muito-esforco-e-coragem-que.html)