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O cotidiano diabético por vezes é cansativo...Vivemos remando contra a maré

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Olá!

Sou Mary Hellen, completarei 32 anos no dia 03-03-2017, sou casada há 12 anos, mãe da Stéphani de 9 anos e do Miguel de 8, cabeleireira, diabética e dia 17 de maio de 2017 farei 25 anos de diagnostico.  Como forma de tratamento, faço uso das insulinas NPH e Humalog, ainda uso seringa, mas após um test drive com a bomba de insulina e vendo sua eficácia, por indicação do meu médico o Dr. Ieso Braz Saggioro, demos entramos.com o pedido judicial da mesma. Foram 30 dias de test drive, estes foram muito significativos para mim, talvez uns dos melhores desde o diagnóstico.

Vamos lá...

Eu tinha apenas 6 anos quando fui diagnosticada com diabetes, minha glicemia estava em 517 mg/ dl quando descobriram, minha vó foi quem me criou (minha mãe só auxiliava nos momentos das minhas internações, que foram muitas...) e não foi nada fácil para ela ( que Deus a tenha!), lidar com esta situação e minha rebeldia, eu comia açúcar, nescau e o que tinha vontade, não me privava de nada e não tinha nenhuma assiduidade com o tratamento.

Nunca fui um bom exemplo em relação ao diabetes... Por uma série de fatores, mais pela falta de tempo e dificuldade de incorporar no meu dia a dia todos os cuidados com o mesmo ...

Aos 19 anos conheci meu marido, começamos a namorar e logo lhe falei do diabetes, não tive nenhum problema com isso, ele compreendeu bem, lida bem com o DM, se esforça para entender algumas coisas sobre o assunto, mas nem sempre tudo lhe é claro rs. Aos seis meses de namoro resolvemos morar juntos (isso já tem quase 12 anos) e esta foi a melhor decisão da minha vida.



Ele sempre soube do meu desejo de ser mãe, decidimos ter um filho e foram dois anos e meio de tentativas e nada. Quando desencanei, vieram os primeiros sintomas, fiz os exames e estava realmente grávida, aos 3 anos de casada. Por minha menstruação ser desregulada nem me ative a este detalhe e quando descobri já estava com 3 meses.

Me senti insegura, comecei a me cuidar e precisei desistir do trabalho (estava na experiência)  ia aos médicos  3 vezes por semana,  as segundas passava pela Dr. Ivanise (endocrinologista),quarta com o Dr. Fábio Sgarbosa (especializado em gestação de alto risco) e as sextas feiras ia no hospital da Unimed fazer o cardiotoco pra monitoração do coraçãozinho do bebê.

Tive um controle extremamente ótimo, me dediquei muito, tinha uma pessoinha dentro de mim que era esperada com todo amor desse mundo.

No início do quinto mês, tive que internar, estava tendo contrações e dilatação a bebê estava pesando 800 gramas... Comecei tomar para segurá-la e passei uns 10 dias internada. Voltei pra casa em repouso absoluto.

 Dia 07 de maio de 2007 quando completava 8 meses de gravidez veio minha primeira benção, minha filha Stéphani, pesando 3kgs e com 50 cm, ficou uns 10 dias na UTI neonatal para o amadurecimento de seu pulmão, mas nasceu linda e forte. Engordei 8 quilos nesta gestação. A amamentei apenas por 3 meses,pois precisei fazer uma cirurgia de emergência (apêndice) e neste processo a glicemia descompensou, fiquei duas semanas internada,  quando voltei, ela não quis mais pegar o peito.Atualmente ela está com 9 anos, linda, muito inteligente e me enchendo de orgulho a cada dia que passa.


Por um descuido ou de propósito, engravidei do Miguel, achei que não teria possibilidade de engravidar rápido,  pois da primeira vez demorei muito e assim quando a Stéphani estava completando 1 aninho eu fiquei grávida.

Na minha 2° gestação precisei fazer laser nos olhos, desenvolvi uma retinopatia diabética (que não evolui depois do nascimento dele, faço meus exames e está tudo ok), devido as constantes descompensações glicêmicas, que aos poucos se regularizaram.

Me dediquei ao tratamento, tive uma equipe médica presente, e as coisas seguiam, próximo aos 8 meses tive uma alteração na pressão arterial (16x10), fui fazer o monitoramento de rotina (cardiotoco) e percebi que algo não.estava normal,a enfermeira saiu rapidamente da sala,chamou o obstetra  e fomos pra sala de ultrassom para averiguar o que estava ocorrendo, os batimentos cardíacos do bebê estavam fracos demais. Subi urgentemente para o centro cirúrgico, estava 3 horas sem me alimentar e assim tomei a anestesia.

Vários sentimentos me rondavam, medo, desespero... Me faltava o chão... Só pedia à Deus que não levasse meu anjinho (Miguel - arcanjo guerreiro). E assim ele veio ao mundo com fracos batimentos cardíacos, sem chorar, molinho nas mãos dos médicos e os mesmos fazendo o possível para salvá-lo, presenciei tudo aquilo e de repente minha pressão começou a subir desesperadamente, o médico medicou-me e me passou um remédio para me acalmar, resisti ao sono o quanto pude para ver o desfecho daquela história, fiquei  meio acordada quando depois de 4 longos minutos , a pediatra retorna com o Miguel nos braços bem, tive um misto de sentimentos, não sabia se era alegria, alívio, vitória ou os três juntos... Mas para a glória de Deus Miguel estava ali ao meu lado bem e para acalmar-me a pediatra disse:

- Fica tranquila ele está 100% bemmm!!! Era tudo que eu queria ouvir...

Depois disso apaguei geral, dormi por longas 4 horas. Ele nasceu de parto cesárea, com 3.900kgs com 57 cm  e não precisou ser hospitalizado. Mamou por quase nove meses e como mamava! Engordei 20 quilos na gestação dele e perdi 11 destes 20 quilos. Meu segundo milagre (Miguel) hoje está com 8 anos,saudável e super esperto.



Sou grata a Deus pela benção da maternidade, concretizar este sonho me faz muito feliz, meus filhos são duas bênçãos preciosas.

Atualmente (acho que sempre) me deparo com o difícil desafio de cuidar do diabetes, trabalhar e etc. Sou autônoma (cabelereira), trabalho sozinha no meu salão, fico o dia todo em pé, atende cliente, atende telefone e assim vai, o dia é corrido demais, tenho hora para começar a trabalhar porém não tenho momento para parar de trabalhar. Meço o diabetes quando lembro e consigo... É tenso! Uma sorte que tenho é de ter um médico maravilhoso, como ele mesmo diz, sou uma sobrevivente, mas acho q na realidade Deus me carrega nas mãos, pois a retinopatia estabilizou há mais de 8 anos e não tenho nenhuma sequela do mal controle glicêmico (faço exames com frequência).

Vejo o milagre de Deus continuamente em minha vida, há um ano comemoro dois aniversários, um de vida e outro pois sobrevivi, tive uma grave pneumonia, com derrame pleural nos dois pulmões, infecção hospitalar e cetoacidose diabetica, foram dias de UTI, internações e repouso...Inúmeros diagnósticos e dores, mas com a graça de Deus há um ano revivi. Uma coisa que merece ser celebrada é que nestes 55 dias de internação, a relação com minha mãe foi restituída,ela se dedicou a estar comigo no hospital todos estes dias por 12 horas diárias (das 8:00 äs 20:00), sempre alegre e animada pra me ajudar. O fato da minha vó ter me criado foi por que minha mãe me teve durante a adolescência e tudo isso foi confuso para ela, e naquela época julgou-se mais prudente  minha vó materna criar-me porém sempre nos amamos, mais era uma relação com certa distância, que há um ano foi restaurada.

Sei que não sou um exemplo com o diabetes e pretendo melhorar com fé em Deus, mas aconselho a todas as diabéticas a se cuidarem, ter assiduidade com o tratamento e assim realizarem o sonho da maternidade.



Sempre desejei ser mãe, até que com os devidos cuidados meu sonho se tornou realidade

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Bom, eu sou a Danice, tenho 34 anos, sou analista financeira em uma multinacional e venho dividir com vocês a minha história de diabetes e maternidade....

Descobri o DM1 em 1994, quando tinha acabado de completar 11 anos e “diet” era novidade e caro pra caramba. Como todo diabético tipo 1 (ou a maioria), já passei por fases de medo (eu achava que ia morrer... convence uma criança de 11 anos que ela não vai!), de revolta (“com tanta gente ruim no mundo, por que eu?”... “Insulina? Não, nem vou ficar tomando esse treco”...”Picar meu dedo várias vezes ao dia? Pra que?”) e de aceitação...

Usei insulina suína, bovina, humana, até chegar à Lantus e a insulina ultra-rápida... Tive minhas descompensações, uma ou outra cetoacidose, mas sempre meio aversa à possibilidade de usar bomba de insulina.

Em 2012, perdi meu pai pra um câncer (mas na verdade o óbito veio por uma embolia pulmonar), ele era DM2 e, por não se cuidar direito, acabou usando insulina nos ultimos anos de vida. Mas deu tempo de detonar tudo: retina, nervos e rins... Fiquei achando que meu pai nunca voltou do coma induzido dele por causa dos rins que não foram capazes de filtrar a medicação. Passada a fase de revolta pela morte dele, em abril de 2013, resolvi comprar um apartamento com meu então namorado (hoje marido), o Daniel, e ao preencher a ficha do financiamento, preenchi que era diabética. Aí me pediram um monte de exames, e quase tive um treco ao ver 11 de glicada e um princípio de retinopatia diabética. Ainda assim, o financiamento saiu ok, mas graças a isso conheci a minha atual endócrino, a Dra Cláudia. Ela me disse que podíamos consertar as coisas e, mais uma vez, me sugeriu a bomba de insulina,com tudo que tinha acontecido, achei que era a hora de tentar. E em junho de 2013, comecei a usar a bomba – e hoje não vivo mais sem.

Poucos meses depois, em novembro de 2013, Daniel me pediu em casamento, eu já estava com 31 anos e ele até se mostrava disposto a ser pai, mas não falava muito no assunto. Em abril de 2014, nos casamos e aí sim eu comecei a conversar mais com ele sobre esse assunto.

Sempre quis ser mãe, mas sempre vivi com o medo imposto por muita gente...”Diabética? Grávida? “Magina”, isso não pode! O bebê vai ter problemas, você vai ter problemas, vai ser complicado, se eu fosse você eu já pensava logo em adotar!”.

Daniel não é diabético, mas acabou aprendendo muita coisa por minha causa, sempre lidou muito bem com tudo e sempre quis aprender mais, foi inclusive o maior entusiasta da bomba de insulina, mas eu acho que ele tinha mais medo do que eu, medo de acontecer algo comigo, medo de acontecer algo com o bebê. Conversamos bastante e, em dezembro de 2014, resolvi parar de tomar pílula, pra dar um tempo pro organismo “limpar” e me preparar. Em janeiro de 2015, peguei uma indicação de uma gineco-obstetra com uma colega de trabalho que estava grávida, e caí nas mãos de uma médica que estava se especializando em gestação de diabéticas – só que, por acompanhar muitos casos em hospitais públicos, ela via muita coisa complicada e me colocou um pouco de pânico...”veja, você já tem 32 anos, se for pra tentar tem que ser logo.... você está com 7,2 de glicada – logo após as festas de final de ano isso – e precisa baixar pra, no mínimo, 6,5 pra começar a tentar...” e por aí vai. Fui até a minha endócrino, que achou tudo muito exagerado, mexeu na dose da bomba e me disse (literalmente!!!) “Dá, minha filha... dá bastante! Te vejo ou grávida ou em 6 meses!). Isso era final de fevereiro de 2015, eu já tinha começado o ácido fólico e resolvi começar a fazer “contas” de quando seriam meus períodos férteis. Conversei com o Daniel e resolvemos que era hora de começar a tentar, já que não sabíamos o quanto ia demorar!

A minha semana fértil de março aconteceu bem quando meu marido estaria viajando a trabalho... então, sem chance.... me lembro perfeitamente da minha “DUM” (pra quem ainda não é mamãe: Data da Última Menstruação, a gente ouve muito isso enquanto está grávida): 21 de março de 2015. Dali pra frente, levamos muito a sério esse negócio de “tentar”(rs)... Eu sempre fui a pessoa mais regulada do mundo com o meu ciclo menstrual, e devia menstruar no dia 18 de abril... no dia 15 de abril, comemoramos nosso 3º aniversário de namoro (sim, a gente comemora isso até hoje!) e eu disse pro meu marido “É, amor, acho que esse mês não vai dar não, tô com os seios inchados e com cólica... vamos continuar tentando!”. Sábado, 18 de abril, esperei menstruar de manhã, como sempre... mas nada. E chegou a noite, e nada. E chegou o domingo, e nada. Falei pro Daniel “Amor, nada ainda... eu devo estar grávida!”, mas ele ainda achou que não (e nesse meio tempo, um amigo olhou pra mim e perguntou se eu estava grávida!). Insisti, compramos um teste, e....


Grávida! Eu estava grávida! Chorei muito, enquanto meu marido ria sem parar, finalmente eu seria mãe e realizaria meu sonho! E, em seguida, veio um medo enorme, de não dar certo, do bebê ter algum problema, de eu ter algum problema...

Corri no laboratório pela manhã, fiz um monte de exames (que a endócrino já tinha deixado o pedido pra quando eu me descobrisse grávida) e um beta HCG... positivo, obviamente.

Corri pra marcar consulta na obstetra e na endócrino, eu era uma diabética grávida e tinha que ficar esperta, a glicemia começou a oscilar e ficar difícil de controlar, e menos de 10 dias depois eu já estava na endócrino, mas não conseguiria consulta na obstetra antes do final de maio (e até ali, eu já estaria perto de 10 semanas de gravidez!). Dra Claudia ficou toda feliz, me disse pra ficar tranquila que tudo ia dar certo e que nós nos veríamos todos os meses pra ter certeza que estava tudo controlado. E me indicou uma obstetra parceira dela e da clínica onde ela atende, a Dra Teresa, acho que foi uma das melhores coisas que me aconteceu!

Dra Teresa, acostumada com grávidas que se tornam diabéticas gestacionais, ou diabéticas que engravidam, me tranquilizou super! Disse que iríamos acompanhando e que tudo daria certo. Passado um tempo, glicadas em 5,5%, 5,3% e nunca acima de 6%, pela primeira vez, ela veio falar comigo sobre o parto. E eu “ué, mas todo mundo fala que diabéticas não podem ter parto normal...” (apesar de eu saber que a belíssima Hally Berry, atriz de sucesso e DM1, teve parto normal!) e ela “olha, poder pode sim, não tem problema, desde que você se mantenha controlada e a sua placenta evolua bem!”. Minha reação foi “não, Dra, eu não quero sentir essa dor toda aí não! Faz cesára mesmo, quero chegar bonitona na maternidade”.

Minha gravidez foi muito tranquila, com glicadas muito muito boas, até a 29ª. Semana (mais ou menos 7 meses, pra quem odeia ou não entende o “semanês” das grávidas...). Ali, eu descobri que o Arthur (sim, o menino com que eu sonhava e tinha certeza que vinha!) tinha virado, encaixado e tava com pressa de sair, mas isso não tinha a ver com o diabetes e sim com o meu útero, fui diagnósticada com insuficiência istmo-cervical (vulgarmente chamada de “colo incompetente”, que não tem “força” pra segurar o peso do bebê). Entrei em desespero ao pensar em um bebê prematuro, mas a Dra Teresa me acalmou, disse que eu deveria ficar em repouso, o máximo de tempo sentada (inclusive no banho!) e que usaríamos progesterona pra postergar o máximo possível o parto. E assim foi, até no chá de bebê eu estava de cadeira de rodas!

MEU CHÁ DE BEBE, EU NA CADEIRA DE RODAS


Aí, com 33 semanas, chegou o momento que eu acho que tive mais pânico: hora de preparar o bebê pra um possível parto pematuro, ou seja, corticóides pra fortalecer o pulmão. Minha glicemia ficou 2 dias incontrolável pelas altas doses de corticóide, mas pelo bem do bebê, tudo bem, estava tudo alinhado entre endócrino e obstetra, e eu sabia bem como controlar ou fazer a glicemia descer. Mas rolou um medo, admito, e um nervoso, dois dias sem ver a glicemia abaixo de 270!




Passado isso, tudo estava sob controle, colo do útero tinha fechado e o risco de parto prematuro tinha diminuído bastante. E chegamos às 36 semanas, quando se diz que o bebê está “a termo”, ou seja, pronto pra nascer, dali pra frente é só ganhar peso mesmo, mas vitalmente já é seguro que ele venha ao mundo. Minha obstetra me ligou e me disse “Olha, eu jurava que teríamos um parto normal bem tranquilo, mas agora eu tô achando que nem induzido vai dar... tô com medo da sua placenta amadurecer muito rápido, vamos marcar a cesárea pra 38 semanas? Arthur já tem um tamanho e peso bons, até lá vai ficar ainda melhor!”. E eu, que já queria a cesárea, super topei! 12 de dezembro de 2015 seria a data pra chegada do meu príncipe.

Arrumei todas as coisinhas do bebê, falei com a endócrino, ela com a anestesista, organizamos o protocolo de retirada da insulina pro parto. Saí do consultório da obstetra no dia 10 de dezembro com tudo organizado e toda a papelada pra internar no dia 12 de manhã. Ela fez um último exame de toque e disse “que pena, totalmente fechado o seu colo”. Parti pra minha última noite de sono tranquilo, visto que eu imaginava que não ia dormir no dia seguinte, de ansiedade... Mas não foi bem assim!

As 3h da manhã, meu tampão mucoso caiu (ok, pode levar até 15 dias pro bebê nascer depois disso), mas tinha muito sangue. Eu sentia dores nas costas desde que o Arthur encaixou, e não parecia estar doendo mais, mas achei que era melhor ver. Cheguei na maternidade meia hora depois, e depois de alguns exames “mãe, você não está em trabalho de parto não, fica calma.... vamos te deixar em observação só porque a sua pressão está um pouco mais alta, mas só por isso, tá bem?”. E lá fiquei eu, até as 7h da manhã, quando ligaram pra obstetra pra ver se antecipavam a cesárea pra tarde do dia 11, já que eu continuava sem sinal algum de trabalho de parto. Mas, com toda a retirada da insulina e da dieta protocoladas, ela achou melhor não, já que era meu primeiro incidente de pressão alta na gestação toda. E as 8h da manhã, me mandaram pra casa.

Resolvi tentar dormir,comi alguma coisa, medi minha glicemia, fui ao banheiro e deitei, Das 9h até as 11h30 da manhã, levantei 3 vezes pra ir ao banheiro, com um incômodo mais forte nas costas. Na terceira vez, as 11h30 da manhã, tirei a bomba de insulina e tentei entrar no chuveiro, mas mal conseguia respirar, e aí tive certeza do que estava acontecendo: eram as contrações, fortes, avassaladoras, com intervalo de 5 minutos entre cada uma. Era hora de correr, com certeza.

Voltei pra maternidade e cheguei lá ao meio dia. Com supreendentes 7cm de dilatação. Já estava sem a bomba de insulina e foi a maior correria. Duas horas e vinte e sete minutos depois, veio ao mundo, num parto normal relâmpago, o meu príncipe Arthur. 37 semanas e 6 dias de gestação, 47 cm e 3,135kg (nada grande perto da expectativa que se tem de bebês de diabéticas – descobri que os chamam de macrossômicos).



Definitivamente, foi a melhor experiência da minha vida! Eu tinha realizado meu sonho! Arthur teve hipoglicemia no pós parto (eu sabia que isso era meio comum em bebês de mães diabéticas), ficou 24h em observação na UTI, mas parecia um gigante do lado dos bebês que estavam por lá.Engordei 14 quilos em sua gestação.



Hoje o Arthur tem 1 ano e 1 mês, é um menino levado e super esperto, que mamou até os 11 meses (e só parou porque eu quis, não aguentava mais tanta mordida dos ínumeros 6 dentinhos dele...rs).

Pra quem tem esse sonho e tem esses medos, sim, é possível! Confiem em vocês, nos médicos e em Deus, que tudo dá certo!


(Em tempo: pra quem já teve alguma descompensação em algum momento da vida, verifiquem bem os rins e os olhos antes de engravidar e tratem se for necessário: eu tive um agravamento da minha retinopatia quando o Arthur estava com 6 meses, fiz 3 cirurgias e agora tenho óleo de silicone – temporariamente - no olho esquerdo  pra evitar que a retina descole de novo e fazer com que ela recupere,porém é um óleo e atrapalha a visão,ele deve ficar no meu olho um tempo, até recuperar mesmo.... Nesse momento eu enxergo com o olho esquerdo como se eu tivesse mais de 10 graus de hipermetropia, tudo distorcido e mais escuro também...A recuperação desse olho  vai dizer se eu devo ou não arriscar uma outra gravidez, pra não correr o risco de ficar cega.Meu olho direito está ótimo, mas vai q dá algo nele também...Agora, vontade de ter outro eu tenho sim, muita! Mas não agora, ate coloquei um diu.