.

Depois de 4 perdas fui honrada com a Maria Isabela

2 comentários |
Olá!

Hoje resolvi dar meu depoimento depois de ler um apelo falando que talvez minha história pudesse ajudar alguma pessoa, me lembrei de quando eu sonhava em ter meu filho nos braços, amava ler histórias de sucesso, elas me encorajavam.

Meu nome é Vilaine, tenho 33 anos, casada, historiadora, atualmente em casa acompanhando o crescimento da minha filha, há 19 anos sou DM1  e para me tratar uso a bomba de insulina "pra mim" não tem como ficar grávida sem ela, talvez por que a mesma foi uma super parceira, tendo em vista também meu histórico que vocês acompanharão.

Minha história passada foi triste, ruim e chatiante... É revoltante ficar doente na adolescência! Já deu para notar que passei por todas as fases do diagnóstico né?! Revolta, negação e etc... Iniciei meu tratamento com a insulina NPH e após um tempo a Regular veio para o mercado, fiquei usando as duas desde então,minha família e as pessoas que convivem comigo sempre encararam o diabetes numa boa e me apoiavam. Mas o foco aqui é falar da minha história com a maternidade diabética.

Assim que nos casamos

Na adolescência me apaixonei por um rapazinho com a mesma idade que eu, ele se tornou meu maridão, com 18 anos já estávamos grávidos e casados, foi só a partir daí que meu tratamento tornou-se assíduo, fui apresentada a um endócrino e tive o meu primeiro glicosimetro (há 15 anos atrás), precisava me cuidar de verdade, pois estava gerando um bebê (usava NPH e Regular), me cuidei e com os conhecimentos disponíveis na época tudo ia lindo, o bebê com saúde conforme as ultras e nós felizes com a maternidade, porém  no final da gestação meu bebê ficou quietinho demais, quase não se mexia, fui ao médico, ele ouviu o coração e me disse:

- Bebês quando estão perto de nascer param de se mexer.

Eu simplesmente acreditei nele e voltei para casa, ficando de repouso do lado esquerdo como ele tinha pedido, no outro dia o bebe também não mexeu ,voltei ao médico (recém-formado) e na cara dele notei o desespero, o bebe já não tinha mais batimentos cardíacos (36 semanas), ele havia morrido, foi a pior dor do mundo! Na certidão de óbito, causa da morte dizia: Mãe diabética!

Não tinha dor maior Juan Augusto "nasceu”, parto cesárea, com 3,710kgs e 51 cm, e para todos a culpa era da diabetes ou minha né?! A maioria das pessoas acham que qualquer coisa que acontece conosco a culpa é do diabetes... Se gripa ,se tem dor de dente, tudo é culpa do diabetes ou porque você não cuida doença. Após o nascimento do Juan tive leite e não fui orientada a tomar medicamento para o mesmo secar, sofri muito neste quesito, o leite empedrou...

Passados 6 meses de tudo isso, agora já com meus 19 anos, engravidei novamente (usando NPH   e Regular) com o controle mais rígido, pensando que a alegria viria logo, fazendo as ultras nas datas certas e me dedicando ao tratamento. No quinto mês toda contente levei a fita K7 para gravar a ultrassom (não era DVD ainda), de repente vi de novo o olhar de desespero do médico que estava fazendo o procedimento, ele começou a gravar e parou muito rápido e assustado, nos falou:

-Não tenho boas notícias, seu bebe é anencéfalo (má formação rara do tubo neural).

Meu mundo caiu pela a segunda vez...

A causa poderia ter sido várias, mas a glicose alta poderia ser uma das opções, meu G.O tentava me acalmar falando que era como se fosse um acidente não escolhe doenças, mas pra mim era por causa da diabetes. Enfim, naquela época pra se interromper uma gestação de anencéfalo teria que entrar na justiça, demorava, fiz questão de não entrar já estava no quinto mês, escolhi ir até o fim, no fundo eu tinha fé que Deus faria um milagre, ou que todos estivessem errados, optei por seguir a gravidez.

Aos 7 meses começou uma pré- eclampsia, meu médico resolveu fazer o parto e fomos pra outra cidade pra ter nosso filho, longe de tudo e todos, a fim de evitarmos julgamentos e falação das pessoas, não precisávamos daquilo, já estava sofrido demais toda aquela situação, só contamos aos nossos pais o que estava acontecendo na semana do parto.

Com 7 meses Luan Augusto nasceu vivo (parto cesárea) e depois faleceu não me deixaram vê-lo... Como eu queria ter visto!

Passados 3 dias a pré- eclampsia virou uma eclampsia fiquei 4 dias em coma, perdi a visão por pouco tempo e a memória por poucos dias. Depois disso pensei em não ter mais filhos e seguir minha vida.

Resolvi investir em mim, na minha carreira, fiz faculdade, pós- graduação viajei por 9 países, acampei, escalei, fiz tudo o que queria fazer, construímos nossa casa e aproveitamos muito a vida... O diabetes em nada me limitou!

Gradativamente foi voltando à vontade de termos um filho, confesso que tínhamos um certo receio, eu sempre dizia:

-Quando eu fizer 30 anos vamos ter!

Resolvi ter, fui atrás da bomba de insulina para me ajudar nesta nova jornada. Santa bomba! Com todos os seus recursos, ia dar tudo certo. Tive paciência, a ansiedade era tomada por uma forte calmaria de que tudo daria certo, esperei o tempo necessário, cheguei à glicada exigida por meu médico e logo engravidei, no início foi um misto de sentimentos, quase surtei , media o diabetes de hora em hora, coloquei celular pra despertar durante a noite, foi muito tenso, mas ao mesmo tempo feliz... Engravidei no mês q planejei!

Fiz uma ultra com 5 semanas, o embrião tinha batimentos, estava tudo certinho... Que alegria! Queríamos saber o sexo do bebê, decidimos por fazer uma sexagem fetal (exame de sangue que apresenta o sexo do bebe) e com 8 semanas descobrimos que o Nicolas Augusto estava por vir, um garoto para nos alegrar ainda mais, infelizmente com 9 semanas meu filho já não tinha mais batimentos e assim fizemos curetagem.

Meu Deus! Quanta dor! Mas em meio à tormenta Deus agiu e me mandou um médico que sabendo do meu histórico de perdas e abortos me disse:

- Você não está perdendo os bebês por causa da diabetes, algo está errado, vamos pesquisar o motivo.

Todos os outros médicos que passei colocavam a culpa no diabetes, sem nem pensar, agora o diagnóstico parecia ser diferente, com os exames genéticos fui diagnosticada com trombofilia (é a propensão de desenvolver trombose devido a uma anomalia no sistema de coagulação), ela causava trombose na placenta e fazia-me perder o bebe, o tratamento era durante a gestação aplicar uma injeção por dia na barriga, o objetivo era evitar a trombose. Agulhas e injeções para uma diabética não era uma novidade, resolvi tentar novamente, já sabia a causa dos meus abortos, era só cuidar.  Estudos mostram que o diabetes pode desencadear também a trombofilia (é o que o meu hematologista acredita), porém para o meu G.O/obstetra no meu caso foi uma mutação em um dos genes e não o DM. Sendo assim, não houve um consenso da causa, mas saber o que eu tinha era uma benção, afinal eu faria o tratamento correto.

A quarta gestação já começou ruim, as ultras não nos apresentavam boas perspectivas, até a 8 semana o embrião não desenvolveu, fizemos curetagem com biópsia, e por meio dela soubemos que era um embrião com divisão de genes errados não tinha como desenvolver, na biópsia dizia sexo feminino, chorei muito, havia me cansado. Quando voltei ao medico lhe falei:

-Não quero mais, não aguento mais, desisti! A glicemia estava boa, tudo certinho, eu medicada ...E não deu certo?! Não quero mais saber!

Ele me olhou e falou:

-Hoje fiz o parto de uma q perdeu 5. Vai lá e pergunta pra ela se ela está arrependida de ter tentado mais!

Pensei comigo:

-Caramba vou ter que tentar de novo!

E assim aos 31 anos, engravidei. Não posso negar, fomos cobertos de orações, inúmeras pessoas intercediam por nós, nos entregavam em suas orações, Deus foi conduzindo tudo,foi uma gravidez calma, tranquila e abençoada.Fiz uso de todos os instrumentos necessários para o tratamento do diabetes e da  trombofilia, usei enoxaparina 40 mg, (é um anticoagulante que evita que o sangue se coagule dentro do vaso) usava 1x ao dia + o remédio AS, continuei com a bomba de insulina e o glicosímetro, ambos foram super aliados no tratamento do diabetes, já não acordava mais nas noites pra medir por que os valores estavam super estáveis, minha glicada na gestação foi 5.8%, a injeção para a trombofilia fazia seu efeito e tudo ia correndo bem... Pensa na minha alegria!



Se falarmos de complicações, as tive sim, mas tudo Deus providenciou, foram dois deslocamentos na placenta e também uma infecção na placenta e até pneumonia me sobreveio, porém considero que esta gestação foi muito calma e tranquila, além de querida,claro (Deus estava no controle!).




No dia 21/7/2015, Maria Isabela nasceu de 36 semanas e dois dias com 3,708kgs e 50 cm, (o mesmo peso praticamente que seu primeiro irmão), parto cesárea (agendada) com ótima recuperação, teve hipoglicemia, mas tomou soro no berçário e não precisou de UTI, teve icterícia ( e por isso ficou alguns dias na maternidade tomando banho de luz- nada associado ao diabetes), e com uma semana de hospital viemos pra casa, ficamos 10 dias no hospital, eu tive alta com 3 dias, porém fiquei mais 7 para acompanhar a Maria.



Atualmente Maria tem 1 ano e 6 meses, é amamentada desde o nascimento, não tive dificuldades neste quesito, sem rachões nos seios, bastante leite e não tive hipoglicemias associadas a amamentação.


 Ela é linda! A amamos por demais! Super saudável!

Nessa jornada de sofrimentos meu marido sempre esteve ao meu lado, cuidando de mim, me medicando, me dando comida nas hipos, sendo mais que parceiro. Foi meu médico, enfermeiro, amigo e tudo mais de bom que as palavras não podem alcançar... MEU AMOR! MINHA BENÇÃO, AMO VOCÊ!


Gratidão á Deus que sempre nos cuidou, nos segurou em seu  colo... Comecei falando que meu passado foi triste,mas na verdade só teve partes tristes, episódios apenas, pois sempre fui feliz e agora sou mais feliz ainda.

Maria Isabela e uns frasquinhos de enoxaparina 40 mg, remedio da trombofilia
A vida nunca é feita do jeito q a gente sonha, mas temos que correr atrás de sermos felizes, o diabetes vai impedir sim de termos filhos, principalmente se pensarmos na parte negativa dele e nos danos  que as descompensações podem causar, mas com um bom controle e respaldo médico, concretizar o sonho da maternidade se torna possível. Não amo ter diabetes, mas me acostumei com ele, o mesmo nunca foi e nunca vai será desculpa pra nada que eu queira fazer, não sou de muito drama com ela não, não sei se com minha história eu ajudo ou desanimo alguém mais se me perguntarem:

- Quer outro bebê?

Respondo:

- Simmmm!!! Quero!!! Só preciso me organizar com o diabetes, pois dei uma certa acomodada, mas acho que se minha filha não mamasse no peito já teria me programado pra encarar tudo de novo! Se Deus me permitir ano que vem quero!

A vida de mãe é corrida, mas me considero privilegiada, tenho a oportunidade de estar em casa vendo-a crescer, cuidar de mim e da rotina do lar, há uma pessoa que me auxilia nas tarefas diárias, o que facilita um pouco, mas não me isenta de responsabilidades.

Quanto a trombofilia o tratamento diário se dá apenas na gestação, só preciso me medicar caso faça uma viagem de avião que leve mais de duas horas, caso contrário nada necessita ser feito.

Termino meu depoimento por aqui e espero poder ajudá-las e quem sabe em breve possa lhes enviar outro.



Algumas verdades sobre a maternidade diabética...

0 comentários |

Saudades dele.
É bem verdade que a nossa vida vira de cabeça para baixo qdo eles nascem...
Cuidar deles, diabetes então... Fora que temos também outras funções sociais.
O fato é: Eles nascem e não sabemos mais viver sem os mesmos, parecem que sempre existiram em nossas vidas.
É uma loucura.Eles choram, damos mamar, colocamos para arrotar, dormem, qdo saimos de perto o show começa, qdo dormem e conseguimos fazer algo é no máximo um banho de gato, corremos, lavamos uma louça, colocamos a roupa na máquina, eles choram ,dá hipo, dá hipers, correções, tomar insulina, lidar com o medo da hipo sozinha...o ciclo recomeça, dormem de novo, penduramos a roupa no varal,varremos, começamos a lavar o banheiro, eles choram, novo ciclo,banho neles,unha para cortar,cólica e etc, etc...Não paramos! Dormir é privilégio, fora as madrugadas a dentro. Ah! Temos que ser "femininas", no mínimo, cabelo (pelo menos lavado), sobrancelhas limpas,depilação e com mt sacrificio as unhas (pelo menos cortadas), e qdo vc consegue pintá-las elas borram, pq vc foi medir a glicemia apertou o dedo e danou o esmalte... Era hipo...Corre!!! Maratona total.
Fora q no meio disso td o q aparece de palpiteiros...Valei-me meu bom Deus!
Enqto tudo isso vai ocorrendo, os bebes não param de crescer, tudo neles vai alterando e as nossas dosagens de insulina tb vão mudando, aquela do trimestre passado q vc decorou semana passada, já mudou rsrsr. Nisso o "pêlo" do suvaco cresceu, a sobrancelha tá igual a uma taturana, o esmalte da unha descascou, as unhas estão iguais a do Zé do Caixão, o cabelo só conhece coque, vc tem q estar animada para a vida sexual huhu...
E... Ah! Veio a candidíase... Lá vem a merda da vez,usar aquela pomada...Ô pomadinha chata viu!? Ah! E aquela sua amiga q ganhou bb bem depois q vc está com o corpo da Globeleza e vc da Mama Bruschetta, td mundo emagrece,menos vc...
Para melhorar a situação vc esqueceu da consulta dele no pediatra...Que má mãe vc é hem?! Putz, a sua foi semana passada e vc tb não foi...Trata de conseguir um retorno e tempo para fazer seu diário glicêmico...Afinal vc fará o q no endocrino sem o diário em mãos!?
Hora de voltar a trabalhar, para quem tirou a licença a maternidade...Outro desafio...Quem ficará com o bebe? Fulana, beltrana ou escolinha...Mas qual escola?
Chororo total com tds estas adaptações, nesta loucura, estas pessoinhas "q acabaram com a nossa paz" são a nossa maior alegria e sem elas tds as nossas correrias não teriam tanto sentido.
Tudo isso para lhes dizer que minha pessoinha está há 3 diasna casa da tia e estou aqui morrendo de saudades, tô ligando a TV e assistindo Discovery Kids inconscientemente, preparo td como se ele estivesse aqui... A minha loucura não ta fazendo tanto sentido sem ele, sabe?!
Ele está crescendo, mudando e eu aqui preciso começar a internalizar e me acostumar q o meu passarinho começará a seu tempo sair do ninho e eu mais do q ngm precisarei começar a me adaptar a isso...
Ainda que minha vida tenha ficado de cabeça para baixo, que eu tenha virado um polvo para dar conta de td, ainda que eu chore insegura, com medo de não dar conta, me equilibrando para cuidar do diabetes e da asma dele (crônicos) eu não trocaria isso td por nada nesta vida...Sabe o q é nada?Nada de nada mesmo...
DAVI, EU AMO VOCÊ!


Sem qualquer problema ou intervenção, tive a Emanuelly

0 comentários |
Meu nome é  Cintia , tenho 30 anos e sou diabética tipo 1 desde os 24 anos.

Estava pensando em engravidar, mas sempre tive medo, por conta do diabetes. Meu controle nunca foi ruim, mas também sempre tentei melhorar, minha glicada ficava por volta de 6% a 7% (não tenho sequelas).

Até que engravidei em dezembro de 2015, meus controles não estavam muito bons e não sabia que estava gravida. Minha glicemia estava dando trabalho, algumas hipers, valor médio de 200 mg/dl. Só soube da gestação em fevereiro de 2016, com exame de sangue, tive um enjoo e desconfiei. Gravidez!

Minha glicemia começou a melhorar, tinha algumas hipoglicemias (mínima 50 mg/dl), comia bem e sentia muita fome (no total engordei 17 quilos). Comecei a controlar o diabetes (hiper máxima 250 mg/dl), aumentando minhas glicemias capilares, de 8 a 10 vezes por dia. Fiz o pré- natal certinho e medrosa seguia a risca para poder controlar, mas as vezes comia uns docinhos e pelo meu controle dava certo. Minha glicada baixou para 6% depois para 5%.



No final da gravidez que minha glicemia começou a aumentar, no oitavo mês, mas nada em exagero como eu pensei que fosse.

Consegui controlar e minha gravidez não teve nenhuma complicação.

No dia do parto não usei insulina lantus só a ultrarrápida (humalog), fiz a ultima refeição às 15h e deu certo. Minha filha Emanuelly nasceu de cesariana, no dia 12 de setembro de 2016, as 17h44, com 3,150 gramas e 47,5 de altura, o pre- natal foi feito convenio .

No dia seguinte utilizei lantus, a mesma dose que usava antes de engravidar, e fui ajustando.


Após 4 meses do nascimento da bebê (que está muito esperta por sinal), consegui perder 7 quilos dos 17 que ganhei , a amamento exclusivamente (em média a cada duas horas), a dose da Lantus deu uma leve aumentada de 16u para 20 u, não faço contagem de carboidratos, tenho dosagem fixa para correções e antes de todas as refeições, não tenho tido hipos (são bem poucas) e quando as hipers vem, logo com 
correções normalizam.

Eu e minha filha ficamos em casa, cuido dela e do meu DM. Faço serviço de casa, mas dou prioridade a ela e me alimento de três em três horas sempre medindo a glicemia. Perco algumas horas de sono de madrugada amamentando (neste período ela mama a cada três horas). Tenho bastante tarefa em casa, sendo mãe e tendo diabetes, mas não me arrependo de nada.




No momento não estou pensando em ter mais filhos porque hoje em dia as coisas estão dificeis. Mas é um caso para pensar futuramente. 

Enfim, não tive grandes problemas na minha gravidez, fui muito comprometida  e tudo foi dando certo, fiz as medições corretamente, utilizei dosagens "corretas" de insulina (as vezes ela vai alterando) e me alimentei de forma saudável, com tudo isso a mulher diabética pode sim engravidar. Desejo-lhes que realizem seus sonhos de se tornarem mães, não se esquecendo da responsabilidade que isso traz consigo.


Abraços







Quando os filhos nascem...

0 comentários |
Davi com 15 dias aí na foto, eu toda inchada, temporariamente hipertensa, colesterol elevado, com a tireóide desregulada, o intestino que não funcionava direito, e o diabetes se ajustando (fora outras coisitas mais)...

Ah! Como eu queria ter saído do hospital com a barriga que comecei a gestar (tudo bem que nunca foi uma barriga negativa, mas não era aquela rs), sem inchaços e com um mega make...E aquele sangue horroroso depois que a gente ganha bebe? Pai do céu!

Lembro no dia desta foto ter agradecido a benção da maternidade, mas senti muito por meu corpo, nada ficava bem em mim, o cabelo tava uma disgrameira (caiu muito e ressecou), pele feia, a pressão uma tristeza, o DM oscilando... Era antagônico aquele sentimento que passava dentro de mim, me senti injusta, eu tinha o filho que pedi a Deus,deveria estar feliz... Mas odiava o meu estado físico, e as vezes a tristeza falava mais alto que a gratidão...

Mas na hora em que ela me abraçou (minha endocrinologista), tudo mudou de figura, tudo pareceu mais fácil e toda a paciência me sobreveio,a ansiedade foi cessando ...

Os meses que se seguiram foram tensos, tive muita dificuldade para amamentar, mas não desisti, Davi mamou muitoooo (quase até os 3 anos), na UTI, nem lembrei de leite materno e não fui estimulada pela equipe médica , apenas faltando 3 dias para a saída dele que uma enfermeira passou a me ajudar...

Conclusão: Nada de colostro, muito menos leite, descia muito,muito pouco e meu filho lá, na fórmula enquanto poderia ter tomado meu leite... OK! Sem crises...

O que fazer já em casa!?

Minha obstetra me deu medicamento e o pediatra do Davi foi um anjo, me ajudou muito com dicas e posologia do medicamento... Virei uma "vaca", vazava leite aqui... Glória a Deus!!!! Mas dei também fórmula,não foi amamentação exclusiva por opção.

Nos primeiros meses tive inúmeras hipos e uma fome horrenda, que me fizeram engordar muito (o que não ganhei na gestação veio depois na amamentação)...

Não me exercitei (deveria ter), contava carboidratos certinho, fazia minhas medições, mas comia muito, por fome, ansiedade e hipo... Imaginem o caos!rs

Davi até os 9 meses foi um bebê muito chorão... Pai do Céu! Era difícil ser uma mãe politicamente correta, dona de casa, profissional e diabética assídua com o mundo desabando na sua cabeça, era DM para medir, insulina para tomar, papelada de medicamentos para correr atrás, médicos,exames,remedios, medico de filho (que nasceu com algumas intercorrências e necessitava de acompanhamento), pegar ônibus (pois não tenho carro - tinham dias que era o maior vuco- vuco) era visitas aparecendo, o banheiro para lavar, o relatório do serviço para fazer, hora de fazer comida, de comer, de medir, de tomar medicamento, e medicar a criança, de acordar zilhões de vezes de madrugada com um bebê histérico, hora de corrigir hipo, hiper,contar carboidratos, de atender a chefe no telefone, de ir a uma reunião no serviço, de lavar, passar e cozinhar, sem auxílio de mãe, avó, sogra, empregada doméstica...Apenas meu marido que se mostrou um ótimo companheiro,
Chorei muito, muito mesmo, por medo, por ansiedade, por raiva, por me sentir incompetente e por inúmeros outros motivos...

Chorei no chuveiro, abraçando o travesseiro e chorei por querer chorar sozinha e não conseguir rs
Enfim, este texto é para lhes dizer:

" Tudo passa, nada é para sempre...
Dias tensos, complicados e ruins, todos nós temos, independente de qualquer coisa, mas aprendi que mesmo nos dias de loucura preciso cuidar do diabetes, preciso estar bem para dar conta das coisas que vão acontecendo, o tempo não para, cada dia de DM mau cuidado significa muito para mim lá na frente, ser mãe foi uma opção, eu sabia ou pelo menos tinha ideia de como seria...
Acho que o maior cuidado na maternidade diabética não é o antes e o durante a gestação, pois eles são tensos,mas passam...É depois, aqui, agora, qdo eles nascem e precisam tanto de nós com saude e aptas a curti-los, que a porca torce o rabo, que começa aser de fato dificil.
O antes e o durante é por um período curto (mesmo que pareça uma eternidade), mas o depois, o depois, não tem data de acabar, só de começar, e os filhos precisarão por muito tempo de nós mães... Cuidar de si, é tb cuidar deles e demonstrar tamanho amor e carinho por quem te fez e te faz tão feliz. Não abandone o tratamento, não se sabote, pq a unica pessoa quem tem a perder com isso é você"