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Maria Vitoria veio para dar rumo a nossa história

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Olá, meu nome é Daylla tenho 27 anos e sou Diabética tipo 1 há 7 anos uso insulina Lantus e novorapid.

Em setembro de 2011 engravidei, não foi planejado, mas muito bem aceita, eu e meu marido ficamos muitos felizes, mas foi uma gravidez muito complicada eu me sentia muito mal e por duas vezes desmaiei, até que um dia acordei com um pequeno sangramento liguei imediatamente para o obstetra e fomos para o consultório o medico me disse q estava tudo bem e que só precisava de repouso fiz o repouso, mas mesmo assim eu sentia que não estava bem, então marquei uma consulta com uma outra obstetra na consulta ela me deu a pior noticia que eu poderia receber na minha vida! Disse que não tinha  mas o que fazer e que eu tinha perdido o meu bebe. 
Nossa! Meu mundo desabou,  fiquei revoltada não conseguia entender o que fiz de errado, pois estava dando o meu melhor. Eu achei que nunca mais eu iria conseguir eu tinha muito medo, pois só ouvia palavras de desanimo, pessoas que falavam que eu não poderia ter filhos e se consegui-se  poderia vir com problemas.
Passaram-se dois anos e novamente engravidei , fiquei muito feliz, o que eu mais queria era ter um filho, mas tive muito, mas muito medo de perder novamente. A minha hemoglobina estava em 6,5%, assim que descobri  fui na minha obstetra ela me tranqüilizou ouvimos o coração e ela me disse que estava tudo bem fiz vários exames e estava tudo bem só a tireóide que deu uma alteração iniciei o uso de puran T25, nos 3 primeiros meses eu consultava de 15 em 15 dias e tudo ocorria bem. Eu já fazia a contagem dos carboidratos e na gravidez continuei, atividade física 3 vezes na semana eu usei insulina Lantus e NovoRapid.
Com 14 semanas descobrimos o Sexo do bebe é uma menina escolhi o nome Maria Vitória. Nos  três primeiros meses tive muitas hipoglicemias tive que diminuir as dosagens das insulina,  perdi 3 kg enjoava muito, mas logo a apetite voltou, no quarto mês tive que aumentar as dosagens pois a glicemia começou a subir.
A partir do sexto  mês toda vez que eu comia tinha que tomar insulina tomava de altas doses de insulina varias vezes  por dia, depois que entrei no sétimo mês tive que fazer repouso e seguir uma dieta sem gordura e sal a minha pressão começou a subir e estava retendo muito liquido e a neném já queria nascer.



Durante a gestação
Com 36 semanas fomos consultar e durante a consulta entrei em trabalha de parto tinha dilatação, contração e o liquido estava baixo, fomos direto para o hospital foi tudo muito rápido assim que cheguei me colocaram no soro glicolisado 5% minha glicose estava em 112 mg/dl e logo me levaram para o centro cirúrgico, eu tinha muito medo de ter uma hipo durante a cesárea , mas graças a Deus e a equipe medica que cuidou muito bem de nós  tudo ocorreu bem! Logo nasceu  a Maria Vitória, nasceu bem, com 49 cm e pesando 3.760 nasceu linda, perfeita e muito saudável, ela teve que ficar um dia na UTI porque ela teve uma hipoglicemia 2 horas após  o nascimento.
Na UTI


Ficamos quatro dias no hospital  eu me recuperei bem da cesárea e a cicatrização foi normal,  amamentei a Maria Vitória até 1 ano e 2 meses, só parei de amamentar porque eu não aguentava mais tinha muitas hipoglicemias, hoje ela esta com 1 ano e 5 meses está bem estamos muito felizes com a chegada sela, ganhamos uma princesinha em nossas vidas.
Primeira vez em meus braços
Nós diabéticas podemos sim ter filhos fortes, perfeitos e Saudável, basta ter ótimos médicos e se cuidar o máximo que tudo dará certo e não ligar para o que as pessoas negativas falam, palavras de desanimo eu ouvi muitas deixe que falem o importante é o que sua medica diz  e  se cuidar o máximo que tudo dara certo.



   Foi uma gravidez difícil de muitos cuidados mas foi uma gravidez Linda. Quando eu olho para carinha dela eu vejo que todo meu  esforço os cuidados valeram  a pena. Eu só tenho a agradecer a Deus, as minhas Medicas de cuidaram muito bem de nós e a  meu  Marido que sempre esta ao meu lado ( coitado de vez em quando ele passa uns sustos comigo com hipo, pressão baixa mas isso é normal em uma diabética).  Hoje eu me sinto realizada por conseguir gerar uma filha forte perfeita e saudável 

Hoje minha princesinha Linda Maria Vitória.
    


Trinta anos de DM1, um filho e muito amor pela vida

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Olá!!

Me chamo Juliana, tenho 34 anos, dm1 há 30 e sou bióloga (dois empregos rs). Sou do tempo da insulina suína e da seringa de vidro. Não tenho muita lembrança do meu diagnóstico, mas me lembro que quando minha mãe me mostrou a seringa e me disse que eu tomaria aquela injeção pelo resto da vida, ela chorava mais do que eu.

Crianças são incríveis. Mães e pais de crianças diabéticas, saibam disso! Crianças se adaptam a tudo com uma tranquilidade fantástica. E eu fui vivendo, crescendo, numa época em que não existia nada além da glicofita! (Para os novatos, a gente media o açúcar no xixi com uma fitinha amarela!!)

Na adolescência eu tive lá meus percalços, mas foi na faculdade que a coisa desandou. Decidi curtir a vida a qualquer preço, e o preço veio logo. No ano 2000 eu fui internada com cetoacidose diabética e quase morri. De verdade. Saí do hospital com medo. Mesmo assim, com vinte e poucos anos a gente não acha que algo vai dar errado, eu acabei me esquecendo do sofrimento do hospital e retomei minha “vidaloca!” Mas a semente da maturidade estava plantada, e aos 25 anos eu resolvi mudar de vida.

Troquei de endócrino, troquei de tratamento. Em 2006 comecei a tomar Lantus e Humalog com contagem de carboidrato (eu tomava NPH com R antes e era uma M*) e troquei as hipers pelas hipos... foram muitas tentativas, mas meu controle seguia instável, mesmo com todo meu esforço. E então, sem querer querendo, em 2007, eu engravidei do meu então namorado (hoje marido)! Com glicada em 9! Sem nenhum plano, aos 26! Meu endócrino surtou comigo... com razão... mas mais uma vez eu troquei o desespero pela perseverança. Filho, gravidez, são coisas divinas... não tem explicação. Vc tira força de onde não tem e segue em frente. Eu militarizei meu controle e no primeiro trimestre da gravidez minha glicada foi pra 5,5.


Satisfação!
Foi uma gravidez tensa. Eu tinha medo de algo ruim acontecer pro bb... fui internada na 11ª semana com hipoglicemias severas... mas sobrevivi... sobrevivemos! Levei meu segundo trimestre numa boa... conversava com muitas mães dm e procurava me blindar da avalanche de desgraça da internet. Foi o trimestre que eu curti a gravidez. Com a entrada do terceiro trimestre veio uma onda de fatos inexplicáveis de novo. Eu estava com ganho de peso normal até então, mas de repente comecei a inchar... e inchei... assustadoramente quase 30 kilos.

Apreciando minha barriga
Eu estava sendo acompanhada pelo G.O, endócrino, nefro e oftalmo, apesar de até então não ter nenhuma complicação. Mas ela chegou... a retinopatia. Com a glicada em 5.3, a melhor da minha vida, eu desenvolvi retinopatia... eu não podia acreditar! A explicação foi a gravidez e o inchaço, e como a coisa toda estava evoluindo muito rápido, entre a 35ª e 36ª semana meu oftalmo recomendou a interrupção da gravidez...

Ansiosa,indo para o hospital ter o João.

No alto dos meus 92 kilos (comecei a gravidez com 55), dia 2 de abril de 2008, fui pro hospital ganhar meu bb um mês antes do previsto. Eu sonhava com parto normal, mas não rolou... fiz cesárea. João nasceu com 3,975kg, 49cm, 36 semanas, com hipoglicemia e taquipneia transitória do recém nascido de cesárea. Foi pra UTI. Foram longos dias... os mais longos da minha vida, pq eu tb não estava bem. O inchaço não ia embora e eu só consegui andar no terceiro dia após o nascimento do João. Esgotei meu estoque de lágrimas, orações e força, e dez dias depois eu estava em casa com meu bb!!!! Estava tudo bem, nós estávamos bem! Era tudo mágico! 

João no Hospital
Quanto a amamentação,amamentei até o sétimo mes e o peso no primeiro mês pós parto perdi 20 kgs, e até o fim do ano de 2008 perdi tudo. Só amamentando e vivendo. Sempre fui muito magra, mas é de família. Eu tenho 1,74 e pesava 55kgs antes de engravidar agora estou estável em 62kgs... Mais feliz. Pq eu era magra demais.

Por recomendação do endócrino e do oftalmo eu laqueei um ano depois do João nascer. Fiz isso decidida, de maneira tranquila. Não me arrependo. No meu coração, minha família está completa.

Eu continuei acompanhando mensalmente a retinopatia e ela estabilizou em inicial não proliferativa (estágio 1), mas eu achei que precisava me cuidar mais! Na gravidez eu tinha conhecido a bomba de infusão e tinha decidido que após o parto eu ia testar. As hipos acabavam comigo e eu já tinha testado todos  os esquemas de tratamento e insulinas do mundo, tudo pelo SUS, sempre fui atrás.

Com a bomba de infusão não foi diferente. Trilhei o caminho das pedras e consegui a bomba, três anos depois de começar a correr atrás (lembra da perseverança?), através da promotoria da saúde da minha cidade. Abri as portas pra muitos depois de mim, tenho orgulho!

Comecei a usar a bomba em fevereiro de 2011, minha glicada se manteve desde então entre 6 e 7! Mas nem tudo são flores. Este ano, 2015, eu tive vários problemas de saúde aleatórios que acarretaram em descontrole glicêmico... minha últimas duas glicadas deram 7,7 e 8 e eu descobri na última ida ao oftalmo (vou duas vezes por ano no oftalmo e uma no nefro) que minha retinopatia tinha acordado com força total... proliferativa, último estágio. Entrei em PÂNICO!!! Pedi ajuda no grupo do fb, pros amigos, médicos, eu preciso conhecer pra aceitar. Depois do desespero... sempre vem a aceitação. Eu escorreguei, descuidei, e com 30 anos de diagnóstico a gente não pode se dar a este luxo.

Eu, João e meu esposo
Mais uma vez eu revi meu controle, minhas práticas e estou totalmente euglicêmica. Estou até assustada com o nível de controle que eu cheguei, há dias minha glicemia está dentro do intervalo alvo (80-140) e isso é fantástico! Estou confiante, começo laser em alguns dias, meu oftalmo disse que vai ser tranquilo, que é só em uma parte do olho esquerdo, e que minhas chances de melhora são enormes!

Nossa vida é assim. Um exercício de paciência, perseverança, resiliência e força! Sou plenamente feliz, tenho uma família linda e planos até os 100 anos. Quero conhecer o mundo inteiro, quero vê-lo... e pra isso abri mão de algumas coisas. São minhas escolhas! E acredito que elas são as melhores possíveis!


Resiliência e persistência... estas são as chaves! Eu nunca desisto! Prometo pra vcs uma glicada de 6 em dezembro! ;)

Momento família, algo que o DM não me impediu de ter

Resiliente? Sempre!

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Não importa quantas hipos, quantas hipers e o quão moida vc esteja por elas, o mundo não pára para olhar humanamente pra vc...Vitimizar-se não ajuda, o negócio é levantar a poeira e dar a volta por cima, pq somos capazes e resilientes sempre!
Ainda bem q temos aqui uns aos outros para desabafarmos e nos entendermos, pq só quem tá na pele entende o q o outro passa.Não entendam algumas de minhas postagens pessimistas, elas servem para encorajar e mostrar ‪#‎tamujunto‬

Hipo e ciclo menstrual

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Hipo,hipo,hipo...
Na correria nem lembrei, final de mês ciclo menstrual, ou seja, hora de baixar a basal para que as hipos não permaneçam.
Gente, correria com filho,emprego e afins,tá cruel lembrar que menstruarei, q tenho q mudar dosagens da bomba e afins. Bom,pelo menos to medindo e fazendo contagem de CHO,menos mal...
‪#‎vidademaeediabetica‬

Eu, a hipo e meu cotidiano

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Maravilha, vc acordar atrasada,com TPM, com hipo, com filho para levar para escola e uma reunião importante para ir.
Passos: Corrigir a hipo lentamentamente, desesperar-se com o relógio porém seu corpo não responde, tomar banho, dar banho, trocar-se, trocar o filho,dar os medicamentos do filho, pegar bolsas,descer as escadas e rua correndo,pegar transito,deixar filho na escola,pegar ônibus ir para a reunião,tomar o remédio da TPM,sentar-se e ouvir horas a fio uma palestra, foi neste momento q pude descansar da HIPO...
‪#‎vidademaeediabetica‬

Na medida que eu te amo, eu também te odeio

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E foi no meio de uma hipo que eu descobri o que realmente sentia por meu esposo...

Adoro quando sou bem tratada, quando você pergunta como vão as glicemias e se me sinto bem...

Me sinto honrada quando sou salva das hipoglicemias noturnas de quando você pressente meu mal estar e me socorre...

Me sinto bem assistida quando você troca meus insumos da bomba de insulina, quando me ajuda a pensar o que pode estar ocasionando aquela grande hiper...

Quando pega a maior fila no Posto de Saúde para pegar meus insumos...

Quando revolucionou sua vida para aprender sobre uma doença que pouco ouviu falar...

Me senti bem assistida durante a gestação onde em cada médico você estava presente, a cada exame se alegrava comigo e segurava forte em minhas mãos quando nada ia bem...

Me senti segura quando no parto olhei profundamente em teus olhos...

Quantas vezes rimos das hipos na hora H?

Quantas vezes você informou alguém sobre o diabetes para que todo o paradigma fosse quebrado...

Quando entrei em cetoacidose e achamos que nos veríamos pela última vez...

Quando você tem um olhar sensível para mim...

Quando me respeita quanto mulher e me vê além do Diabetes...

Te odeio quando ...

Você diz: Isso come igual a uma jumenta e põe a culpa na hipo.

Meu pai! Quanto médico!

Quando vou poder dormir sossegado sem ter que te acodir?

Tô falando com você!!! Eiiii!!! (e você nem percebe que trata-se de uma hipo)

Quando você duvida que de fato estou tendo uma hipo.

Quando minha instabilidade glicêmica acaba com minha  disposição e você pensa que estou me escorando.

Quando diz: Pelo amor de Deus, cuida deste diabetes porque não dou conta de você no Hospital e Davi pra cuidar...(Ah! Isso me faz sentir o pior ser humano)

Quando você me culpa pelas hipos e hipers,

Quando inicia uma discussão no meio de hipo,

Quando dana a falar e estou com o mal estar da hiper


Mas não posso te culpar por nada, não posso me culpar por nada... 

Não posso querer que você seja igual ao marido da fulana ou da beltrana, porque você é você e foi este ser humano que aprendi amar...

Sei o quanto é dificil conciliar nosso cotidiano, diferenças,problemas,anseios,felicidades,criaçao de filho e DM...

Não vivemos num mundo Disney,mas sim num mundo real com pessoas de carne e osso.


Só posso continuar a  viver nesta linha tênue te amando e te odiando eternamente...



Para cada NÃO que a vida me deu, respondi SIM calorosamente: DM1 e Mãe

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Me chamo Luciane, tenho 24 anos prestes a completar 25, sou empresária e artesã. Completei há pouco 14 anos de diagnostico, 14 anos de muita luta muita dificuldade, mas, de uma felicidade imensurável. Desde o momento que descobri o diabetes não vi como uma dificuldade nem um empecilho na minha vida, mas como um aprendizado. Descobri quanto fui internada com 10 anos (prestes completar 11) cheguei com minha glicose em 815 no hospital, me deparei com uma doença que nunca havia escutado falar.

Meu tratamento durante 6 anos foi com as insulinas NPH e HUMALOG. Aos 17 anos de idade comecei a apresentar algumas neuropatias e tive que mudar meu tratamento no qual já estava acostumada e adaptada. Tentamos vários tipos de insulina, pois meu corpo já tinha se "acostumado" com a NPH e não fazia mais efeito, tentei Lantus, Levemir, nada fazia efeito, usava nove comprimidos todos para melhorar meus sintomas que já estavam insuportáveis. Foi um dos piores anos da minha vida, três internações, muitas náuseas e dores no corpo. Passado todo esse ano, não teve jeito tivemos que comprar a tão famosa bomba de infusão de insulina, um tratamento caríssimo, mas com a ajuda de toda minha família conseguimos juntar o valor e comecei o tratamento, no qual estou ate hoje, custeamos parte do tratamento até ganharmos a ação e conseguirmos os insumos pelo Estado de São Paulo. A bomba de insulina foi a melhor coisa que me aconteceu, parei com todos os comprimidos, simplesmente não sentia mais nenhum dos sintomas da neuropatia, me senti uma pessoa renovada.

Sempre fui uma pessoa muito ativa e atrapalhada, confesso que isso dificulta meu tratamento, nunca fui uma adolescente rebelde, evitava comer doces, fazia contagem de carboidratos, mas simplesmente esquecia de aplicar insulina, mesmo com a bomba eu esquecia (ate hoje esqueço, e com a maternidade isso piorou rs), mas consegui me manter bem e nunca deixei de viver se quer um segundo da minha vida por ser diabética. 

Aos 19 anos conheci meu marido, fomos morar juntos quando completei 21, em Maio de 2013 (eu com 22 e ele com 25 anos) nos casamos. Com toda certeza do mundo um dos dias mais felizes da minha vida! Junto com o casamento veio à vontade de ser mãe, sempre me preocupei com a dificuldade de ser gestante e diabética, pensava que não queria esperar muito tempo, pois tinha medo de não poder engravidar por alguma complicação do diabetes. 

Em agosto de 2013 parei com o anticoncepcional e comecei o acompanhamento com endócrino e ginecologista, comecei a fazer uma bateria de exames (ainda não estávamos tentando engravidar, mas nos preparando pra isso), a meta era engravidar quando minha hemoglobina glicada estivesse abaixo de 7%, naquele momento estava em 8%. Alguns meses depois consegui atingir a meta dos 7% mas alguns problemas ginecológicos começaram a aparecer, e descobrimos então que a Síndrome do Ovário Policístico (tive na adolescência, mas tratamos rapidamente com anticoncepcional), algo que dificultaria a sonhada gestação.

Foram quase 12 meses fazendo testes de farmácia na expectativa do tão sonhado positivo, pois o medicamento pode atrasar a menstruação e no meu caso atrasava todos os meses. Começou a bater insegurança e ansiedade, já me sentia emotiva e comecei a fazer todas as "simpatias" possíveis. Pouco tempo antes de completar um ano sem anticoncepcional comecei a tomar hormônio para ajudar na ovulação, foi uma luta, sintomas terríveis, me sentia muito mal. Foram três meses tomando a medicação e nada de engravidar , quando voltei na consulta o medico comentou que eu poderia ter problema de infertilidade, fizemos todos os exames eu e meu marido e nada constava. Resolvi buscar uma segunda opinião, o novo medico me passou vários exames e parar todas as medicações, quando comecei a fazer os exames mais específicos tive muitas cólicas e desconforto no pé da barriga. Fui ao hospital achando que poderia estar com algum probleminha de saúde já que as dores eram fortes, fiz mais exames e nada constou. Quinze dias depois voltei a ter dores muito fortes, minha menstruação estava atrasada 1 dia (já nem ligava mais, pois chegou a atrasar 20). Liguei pro meu marido que estava trabalhando e resolvemos ir ao hospital novamente, antes disso resolvi fazer um teste de farmácia (quando se faz tratamento com hormônio é a primeira coisa que perguntam quando a menstruação esta atrasada: fez o teste de farmácia?) fiz e fui tomar banho,sabia que não estaria grávida, mas quando abri o box do banheiro, as duas listras apareceram e inúmeros questionamentos me rondaram, eu fazia as minhas próprias perguntas e as respondia... Estava querendo engravidar, mas acho que essa é a reação de toda mulher no momento que se vê a segunda listra rsrsrs. Fomos ao hospital já q estava com dores. Era a semana do aniversario do meu marido. Muitos sentimentos rolando.

Chegamos ao hospital e veio à confirmação de que eu estava grávida. Quando fiz o ultrassom viram que poderia ser uma gravidez ectópica (nas trompas) já era de madrugada quando o ginecologista veio conversar que teríamos que interromper a gravidez e tirar a trompa (o que dificultaria em 50% a chance de engravidar novamente). Nesse momento meu coração veio na boca. Uma agonia. Sentimento inexplicável eu e meu marido nos olhávamos sem entender por que de tudo isso estar acontecendo. Foram fazer minha internação e já não tinha mais vaga no hospital. Pediram transferência para um hospital e maternidade muito longe da nossa casa. Quando chegamos ao hospital a medica nos disse que não queria fazer a cirurgia, gostaria de esperar uns dias e ver se realmente era uma gravidez ectópica ou um cisto de corpo lúteo (um cisto que aparece bem no comecinho da gravidez).Eis que três dias depois descobrimos que a gravidez era tópica e o embrião já estava no útero. Foram os segundos mais felizes da minha vida. Que noticia maravilhosa! Só queria agradecer a Deus pelo milagre que havia nos dado!!!!!

Uma nova fase começou  muitos controles e cuidados. Fiz tratamento com uma equipe ótima que me apoio muito durante a gravidez, foram dois endócrinos e dois obstetras que me acompanharam (os profissionais de que já me acompanhavam mais os do Programa de Alto Risco do Plano de Saúde – critérios do programa).
Tive poucos sintomas da gravidez, muitas vezes nem lembrava que estava grávida, me sentia tão bem e realizada. Quando a barriga deu uma boa crescida sim, veio o cansaço e o “peso” dela rs. Os controles glicêmicos oscilaram muitas hipos e hipers, mas me mantive na glicada abaixo de 7%.

Resolvi fazer meu chá com 30 semanas de gestação, sempre tive medo de um parto prematuro, queria me adiantar em tudo, um dia antes do chá entrei em trabalho de parto, muitas contrações e dilatação, uma dor insuportável tomou conta de mim. Fiquei internada por três dias e conseguimos controlar para ela não nascer antes do tempo. Voltei pra casa e a guerra começou péssimos controles, tive que tomar corticoide no hospital para fortalecer os pulmões dela e nunca mais minha glicemia foi à mesma, não saia dos 300.



Foram dias exaustivos, não aguentava mais, não conseguia controlar, tive muitas contrações nesse período, foi uma fase terrível, passava no medico toda semana para melhorar os controles e ela não ser uma criança macrossômica , foi difícil , mas não foi impossível.

Agendamos o parto cesárea para o dia 29/06/ 2015, mas a bolsa rompeu dois dias antes. Depois de um dia comum de trabalho, dia em que trabalhei até às 22hs, ás 2 da manhã a bolsa estourou senti dores e fomos para o hospital, foi tentado parto normal até às 8 da manhã, foi muito dolorido e vomitei muito, mas depois foi decidido fazer a cesariana e no dia 26 de junho de 2015, com 37 semanas a Clara veio ao mundo pra me tornar a pessoa mais feliz do mundo seus pulmões estavam maduros, não teve hipoglicemia, precisou de UTI somente pelo fato de ter tido icterícia. 

Anderson,Clara,a bomba e eu.


A UTI foi a pior experiência, ir pra casa sem ela, sem nossa filha que tanto planejamos, dói, mas o tempo passou rápido. Nesse período de UTI foi difícil me cuidar, pós-parto com a correria de amamentação muitas e muitas hipoglicemias.
Amamentar sempre foi meu sonho, tive hiperlactaçao, durante o período de UTI eu tirava na bomba. Quando ela voltou pra casa foi complicado, pois Clara começou a ter refluxo e não se adaptou com o leite materno. Tive hipoglicemia durante a amamentação, quando introduzi fórmula própria pra refluxo minha glicemia aumentou muito cheguei a ter HI e estou na fase de readaptação com as dosagens. Confesso que ainda está difícil controlar as glicemias.

Conciliar trabalho, o cuidado com a Clara e DM está sendo difícil, dou prioridade pra ela e esqueço-me de mim, estamos em uma fase de adaptação em casa conhecendo um novo mundo, uma nova vida a três, momento de muita felicidade e de muito cuidado com ela devido ao refluxo e comigo pelos descontroles da glicemia.

Hoje minha princesa esta com três meses, é LINDA e SAUDÁVEL, veio ao mundo para nos encher de alegria.

Digo a todas vocês mulheres diabéticas, a gestação é possível sim, apesar dos pesares ate as 30 semanas tive uma gestação normal, sem complicações, me controlei muito e tive bons resultados. Não podemos ver a diabetes com uma dificuldade em nossas vidas, não somos diferentes e nem incapazes, temos algumas restrições, mas nada que não possamos dar conta, somos pessoas normais e dignas de felicidade. 




Ass. LUCIANE, ANDERSON, CLARA e a BOMBA DE INSULINA.